quarta-feira, 9 de março de 2011

A invasão do Centre Ville...

Centreville caminha para a regularização

Renan Fonseca
Do Diário do Grande ABC

Quase 30 anos se passaram, e agora a primeira invasão de moradias do País caminha para chegar à legalidade. O Centreville, em Santo André, é foco de comissão de vereadores formada para pressionar Prefeitura e CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) a concederem a posse dos imóveis às famílias que vivem no bairro. A primeira audiência pública que vai colocar os dois órgãos frente a frente será realizada dia 18, às 19h, na Câmara Municipal.

Em 16 de julho de 1982, aproximadamente 600 famílias ocuparam um conjunto habitacional de alto padrão que estava praticamente abandonado. O empreendimento prometia ser o Alphaville do Grande ABC, mas a construtora se afundou em dívidas e o projeto parou no caminho.
Desde então, casarões foram mudados, quadras divididas, ruas asfaltadas e água e energia elétrica instalados. Mas ninguém ali tem documentação da casa onde vive. "Temos de pressionar o poder público para regularizar a vida dos moradores, que possuem apenas a posse sobre as casas", disse o vereador Tiago Nogueira (PT), que preside a comissão.
Até mesmo o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) aquelas pessoas não podem pagar. Em 1990, conforme explicou o vereador, uma determinação do Tribunal de Justiça garantiu que a CDHU administrasse o território do Centreville. A companhia estadual é responsável pelo pagamento do imposto à Prefeitura.
Hoje, do grupo ocupante original do Centreville, restam menos de 10 famílias, que compõem o comitê representativo do bairro. Mas toda a vizinhança almeja ter em mãos a escritura da propriedade onde mora. "Todos os anos, o carnê do IPTU chega nas nossas casas. A gente orientou todo mundo a não pagar. Mas tem famílias que acreditam que, quitando o carnê, vão ter direito à escritura", esclarece o presidente da associação dos moradores, Tarcísio Silva Cale, 55 anos - o Calé, como é conhecido.

Leilão:Em 2000, a Prefeitura ingressou na Justiça com ação de execução fiscal por falta de pagamento do IPTU (processo 7045/2000). O leilão judicial de algumas residências iria acontecer no fim do ano passado, segundo o vereador petista. Mas, em 9 de fevereiro, a 2ª Vara da Fazenda Pública extinguiu o processo. "Muitas famílias ficaram com medo de perder as casas e recorreram aos vereadores. Agora a gente quer sair desse impasse e conseguir a propriedade das casas", comentou Calé.

Lutas:
Ao lado de Calé, Newton Soares Galvão, 50, o Mineiro, também enfrentou a "borracha da polícia". "Eu fazia parte do peitoral, que era o pessoal que encarava a polícia e não deixava ela entrar no condomínio", relembra.
Mineiro hoje é mecânico e construiu uma oficina no porão da casa que ocupou. "Era tudo mato, e a construção estava nas fundações. Com muito trabalho, construí meu lar", orgulha-se.
Sobre o processo de regularização fundiária pretendida pelos vereadores, a Prefeitura não se pronunciou. Já a CDHU enviou nota informando que já está trabalhando no assunto e realizou cadastramento das famílias em 2008.

Falta de adaptação levou ocupantes embora
Padre José Mahon, 84 anos, acompanha a história do Centreville desde o início. Ele estava junto com os moradores dois dias após a invasão, e nunca mais saiu.
Mahon lembra que a ocupação aconteceu em dois momentos: 16 de julho de 1982 e 11 de fevereiro de 1983. Sempre ao lado dos ocupantes, ele explica por que restam poucas pessoas no Centreville que participaram da ocupação. "Todas as pessoas saíram de favelas e por vários motivos não se adaptaram às grandes casas do conjunto", comentou.
No começo da ocupação, todos estavam empolgados com o tamanho das residências. Aos poucos, foram percebendo que manter um casarão não era fácil. "Aquelas pessoas estavam acostumadas aos pequenos barracos, portanto, uma vez dentro das mansões, deixavam muitos cômodos desocupados", relembra o padre. Os espaços vazios eram vendidos ou alugados. E quando a situação financeira apertava, as famílias voltavam para as favelas.
"Elas aceitavam qualquer dinheiro para deixar as casas. A mudança era rápida: enquanto uma família estava saindo, a outra estava com as coisas na porta da residência. Assim, não corriam o risco de outros ocupantes tomarem a casa", explica o religioso.
Dessa forma, o bairro passou a acomodar famílias de classe média. A maioria das pessoas que lutou pela ocupação abandonou ou vendeu as casas.
Até mesmo a antiga sede da associação de moradores foi alugada para gente de fora. "Cheguei neste mês de Garanhuns (Pernambuco) e vou tentar a vida em São Paulo", explica dona Maria Aparecida de Andrade Oliveira, 44. Ela, que paga R$ 400 por mês pelo imóvel, posa na porta de casa, sem saber o significado das inscrições na parede.
Padre Mahon toma conta da Capela Nossa Senhora da Esperança, construída no centro do Centreville.

Casa no bairro pode custar até R$ 150 mil :
Compra, venda ou aluguel de imóvel. No Centreville, qualquer negócio imobiliário é feito na base da confiança. Sem documentação das casas, as famílias confiam nos vizinhos para passar adiante a residência. O costume surgiu nos primeiros anos da ocupação.
Hoje, muitas pessoas instalaram imobiliárias clandestinas e vivem desse comércio. "Sempre foi assim. Os vizinhos oferecem uma porcentagem para a gente vender a casa ou vigiar a propriedade para ninguém invadir", comentou uma moradora adepta do negócio, que preferiu não se identificar.
No bairro, uma casa pode valer entre R$ 50 mil e R$ 150 mil. "Mas é difícil alguém pagar mais do que R$ 80 mil pela residência. Aqui ninguém tem escritura, e isso não é um chamativo", explicou o engenheiro mecânico, José Santos, 62 anos, proprietário de uma imobiliária legalmente registrada, como garante.
Mesmo quem faz lar no Centreville e não participou da ocupação sonha com a documentação da casa própria. "Faz tanto tempo que estamos aqui, e por isso queremos a escritura. Não estamos pedindo nada de graça. Com os documentos, a gente paga o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e todos os impostos", falou a dona de casa Ivete Casagrande, 44 anos, que se instalou no bairro há uma década.

terça-feira, 1 de março de 2011

A gente não quer só comida....

Jovens participam do movimento sindical da Região e ocupam representações em empresas multinacionais como a Basf  no ABC
Por:Felipe Rodrigues e Vinicius Morende

A juventude se fez representada no sindicalismo da Região ao longo da história e foi um dos principais atores das manifestações realizadas no final da década de 1970, que mudaram os rumos do ABCD e do País. No entanto, a evolução social obrigou o movimento sindical a se adaptar às novas realidades, tanto para incentivar a participação dos jovens e renovar as lutas, quanto para adequar as demandas da juventude aos quadros de representação nos sindicatos.

Um exemplo disso é o grupo recém-empossado para representar os trabalhadores de uma das maiores plantas industriais químicas localizadas no ABCD, a Basf Demarchi, em São Bernardo. De acordo com o coordenador do núcleo da comissão de fábrica da empresa, Márcio Vital, cerca de 70% dos trabalhadores do setor químico são considerados jovens e as lideranças tiveram que se qualificar para conseguir falar a mesma língua desse pessoal. "Atualmente, a nossa comissão de fábrica conta com pessoas com pouco mais de 30 anos. Tendo um grupo mais jovem é possível unificar as reivindicações", disse.

Para o presidente do Sindicato dos Químicos do ABC, Paulo Lage, nos últimos anos houve um aumento da participação dos jovens atuando no sindicalismo. "É muito importante contar com a presença deles, afinal são eles que continuarão defendendo nossas bandeiras de luta nos próximos anos", destaca.

No entanto, de acordo com especialistas, as últimas três décadas impuseram sérios desafios à representação da juventude nos espaços de organização no local de trabalho e dentro do próprio movimento sindical. Entre eles estão questões práticas, como a mecanização dos modos de produção, que reduziu o volume de trabalhadores dentro das fábricas, mas também problemas estruturais, como as mudanças do mercado de trabalho e a evolução cultural.

"Antigamente, o objetivo do trabalhador era arrumar emprego estável, fazer carreira na empresa e garantir o futuro da família. Nas últimas décadas, as metas passaram a ter prazos mais curtos. O trabalhador quer bons salários, sem precisar crescer dentro da empresa, e o mercado de trabalho permite que se mude de emprego. Isso muda tudo", afirma o sociólogo Agnaldo dos Santos.

Para Santos, ao mesmo tempo em que há gratidão pelas lutas e conquistas sindicais do passado, o que faz jovens formados em Direito, por exemplo, ocuparem vagas nas montadoras por conta dos bons salários, não há uma identidade definida. "O sindicalismo se constrói na organização dos oprimidos em busca de uma vida melhor. Com a mudança da estrutura social, as relações entre as pessoas foram muito afetadas", explica. "Não é que no passado as pessoas eram mais empolgadas com a vida sindical, a estrutura social favorecia o envolvimento delas".

De acordo com o coordenador do Coletivo de Jovens Metalúrgicos e Metalúrgicas, do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Ângelo Máximo Pinho, o Max, desde 1997, quando o coletivo passou a atuar na Região, grandes transformações ocorreram na sociedade. "Da época em que o Lula era presidente do sindicato para os tempos de hoje, muitos desafios foram superados, mas novos problemas foram colocados pelo neoliberalismo", sintetiza.
Já a presidente do Sindicato dos Bancários do ABC, Maria Rita Serrano, destaca que a categoria também sofre com os problemas da alta rotatividade dos jovens e, com isso, ter trabalhadores novos dentro do sindicato acaba sendo um desafio. "Apesar das dificuldades estamos sempre buscando trazê-los para dentro do sindicato, seja em cargos operacionais como também na direção", pondera.

  - Nas profissões consideradas transitórias o envolvimento da juventude com o mundo sindical é mais desafiador. De acordo com o diretor regional do Sintetel (Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações do ABCD e Alto Tietê), Mauro Britto, a alta rotatividade é um dos problemas da categoria. "Ainda assim é possível encontrar jovens que possuem objetivos de lutar pelos seus direitos. Nossa meta é contar com estes trabalhadores no sindicato", conta.
 
 Fonte:Jornal ABCD Maior


domingo, 27 de fevereiro de 2011

Não sois máquina,homem é que sois...

 

Desempregados pela mecanização

Com o avanço da mecanização nos canaviais paulistas, foram fechados pelo menos 40 mil postos de trabalho no corte da cana-de-açúcar desde 2007, calcula o professor do Departamento Economia Rural da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) José Giacomo Baccarin. No mesmo período, o setor sucroenergético abriu vagas suficientes para realocar apenas 10% dos ex-cortadores em atividades como a de tratorista. Outros postos abertos no ramo não são preenchidos por esses trabalhadores por causa da baixa escolaridade, segundo o professor.

Baseado em análises dos números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, Baccarin aponta que em maio de 2010 – mês em que há o pico da safra – trabalhavam na colheita manual 166,4 mil pessoas. Ele estima que 150 mil desses cortadores de cana sejam dispensados até 2014, último ano para o fim da queima da palha da cana, necessária para o corte manual, em todas as áreas mecanizáveis do estado. O prazo foi estabelecido em um protocolo assinado entre o governo estadual e a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica).

O Ministério Público Federal tem pressionado por um processo de licenciamento mais rigoroso para permitir as queimadas no estado. No fim de janeiro, uma ação impetrada pelo órgão foi acatada pela Justiça Federal, que suspendeu a queima na região de Franca, interior do estado.

Para Baccarin, esse tipo de pressão ajuda a acelerar o processo de mecanização, mas não é o fator decisivo. “A questão é valorizar o etanol como combustível renovável e não agressor ao meio ambiente, é isso que está acontecendo”, destacou em entrevista à Agência Brasil. As queimadas pioram a qualidade do ar dos municípios produtores e a colheita manual é apontada como um trabalho muito penoso.

“O lado bom da mecanização é isso. As pessoas deixam de fazer esse serviço forçoso [pesado], no limite desumano, que é cortar cana”, analisa o coordenador de Relações Sindicais do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), José Silvestre Prado de Oliveira.

Ele pondera, no entanto, que a perda maciça de empregos impacta diretamente milhares de famílias e os municípios onde há o cultivo. “Tem o problema de ordem econômica e social que é o que fazer com as pessoas que viviam e dependiam dessa renda para viver.”

Algumas prefeituras têm buscado formas de amenizar esses efeitos, segundo Baccarin. “Uma coisa que já percebi que as prefeituras fazem é encaminhar o pessoal para o seguro-desemprego.”

A Unica desenvolve desde o ano passado um programa de requalificação de cortadores chamado Renovação. “É um modelo em que o trabalhador continua recebendo o salário dele, mas estuda em período integral”, explica a assessora de Responsabilidade Social Corporativa da entidade, Maria Luiza Barbosa.

O programa desenvolvido pela Unica tem foco, segundo ela, na capacitação de acordo com a disponibilidade de vagas em cada região. “É formar para o cara ter opção de trabalhar naquela área [sucroenergética] ou ser um profissional autônomo”. Ela afirma que o projeto tem “cunho social” e que os cursos oferecidos, com cerca de 300 horas de duração, são de alta qualidade. “É para aprender, não para falar que fez.”

A meta do projeto é, por ano, qualificar para outras atividades 7 mil trabalhadores braçais. Parte deles será realocada pela própria indústria canavieira, mas a maior parcela terá de ser absorvida por outros setores. Caso cumpra o proposto, o Renovação capacitará 35 mil cortadores até 2014.

O presidente do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Regente Feijó (SP), Marcelino Sotocorno, afirma, no entanto, que as usinas têm preferido empregar trabalhadores mais qualificados a ex-cortadores na colheira mecanizada. Segundo ele, foi preciso pressionar as empresas para que os cortadores fossem qualificados para os postos.

Para o presidente do Sindicato de Empregados Rurais de Ribeirão Preto (SP), Sílvio Palviqueres, a requalificação ainda é “mínima” em comparação à velocidade da mecanização. Segundo ele, na região, uma das maiores produtoras de cana do estado, uma parte dos trabalhadores é absorvida pela construção civil. “Esses trabalhadores não têm escolaridade, sabem só assinar o nome, então eles não conseguem disputar uma vaga na área urbana. A única coisa que sobra para eles é a construção civil.”

Fonte:Diário Regional do ABC

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Programa Leitura nas Fábricas...


Sucesso do programa é comemorado com entrega do sétimo ponto de leitura em Diadema
Fonte:Jornal-abcdmaior

Aproveitar os espaços das indústrias para incentivar no trabalhador o hábito pela leitura é o mote do "Programa Leitura nas Fábricas", que desde junho de 2010 é realizado em Diadema, por meio de parceria pioneira entre a Prefeitura e o Ministério da Cultura. O sucesso do programa é comemorado com a entrega do sétimo ponto de leitura - minibibliotecas para empréstimo e leitura de livros, na quarta-feira, dia 23, nas dependências da empresa Apis Delta. A iniciativa beneficiará mais de 400 operários.
Perto de três mil trabalhadores e familiares já contam com os espaços de leitura em suas fábricas, o que lhes garante acesso a um acervo com mais de 650 títulos de literatura brasileira, estrangeira, infantil e juvenil, além de DVDs, livros didáticos, enciclopédias, entre outros.  O programa conta com a importante parceria de sindicatos, como o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, e empresas da Região.
O balanço dos primeiros meses do programa mostrou que a iniciativa despertou não apenas o interesse pela leitura, com um total de empréstimos de cerca de 1,8 mil livros, mas incentivou o contato com a internet, a procura por pesquisas de temas diversos e a realização de saraus e intervenções poéticas. Esta demanda fez com que os pontos de leitura acrescentassem espontaneamente em seus acervos 559 novos títulos.
As empresas Legas Metal e Papaiz, ambas do município, se destacaram por ampliar o acervo e promover apresentações artísticas. A primeira delas também inovou ao expandir sua parceria com a Prefeitura e agregar o seu ponto de leitura ao "Programa Diadema Mais Educação", voltado a atividades educativas com as crianças da rede pública municipal, e ao "Programa Cultura e Movimento". Estas ações abriram a biblioteca para a população que reside próxima à fábrica.
O êxito conseguido com a iniciativa fez com que a experiência de Diadema fosse expandida a outras cidades do ABCD. Devido aos resultados obtidos, o Ministério da Cultura reafirmou a parceria com a cidade e concedeu mais quatro kits para novos pontos de leitura, que agora chegará a 14 fábricas, e ainda garantiu outros 24 para as outras cidades da Região. Cada kit, além do acervo das obras, conta com mobiliário adequado para a biblioteca, que já vem informatizada.
Projeto - No início do programa aderiram à ideia as empresas Apis Delta, Delga, IGP, Autometal, Legas, Grupo Papaiz, Uniforja, TRW, Uniferco e Metalpart. Sete delas já contam com o ponto de leitura, restando outras sete para a implantação das minibibliotecas. Cada fábrica também indicou um responsável pelo funcionamento do ponto dentro da empresa. Os funcionários passaram por um processo de capacitação fornecido pela Prefeitura de Diadema.
Os futuros agentes de leitura foram escolhidos de acordo com o interesse para se tornarem orientadores dos pontos de leitura em seus ambientes de trabalho. Nas aulas de capacitação, os agentes receberam orientação sobre a organização do acervo que as fábricas irão receber, de como atender os companheiros que farão uso do espaço e como despertar o interesse pela leitura.
A ideia nasceu em 2009, quando foi realizado pela Prefeitura de Diadema o seminário "A Biblioteca que Queremos", em que foi definida a meta de transformar Diadema em uma cidade de leitores. A partir desse momento, a Secretaria de Cultura começou a buscar parcerias. Com o "Leitura nas Fábricas", a cidade espera levar educação, uma das prioridades do governo municipal, aos trabalhadores da região, incentivando o hábito da leitura. O poder que esse hábito pode ter foi lembrado pelo prefeito: "Cultura e Educação vão além de qualificar o trabalhador, elas formam a sociedade. O cidadão, quando tem acesso à cultura, se transforma".

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Valeu ! Ronaldoooooooooooooo....

O futebol sem Ronaldo


Por:Sávio Siqueira

Está no ar e no mundo a notícia da aposentadoria do craque Ronaldo dos campos de futebol. Embora não soe como novidade, devido ao desempenho sofrível que o jogador vinha apresentando no Corinthians, não podemos deixar de lamentar a partida de um dos maiores ídolos da bola que o Brasil produziu. Depois de Pelé, não há no planeta outro brasileiro mais conhecido que Ronaldo, outrora Ronaldinho, até perder a alcunha para o xará Gaúcho. Ronaldo se vai e deixa uma lacuna enorme para aqueles que enxergam na sua trajetória um sucesso estrondoso, ainda que interrompida várias vezes por conta do verdadeiro calvário que as contusões o impuseram. É a esse calvário que Ronaldo hoje sucumbe de vez.
Há, como se sabe, profissões várias com prazo de validade curtíssimo, quase efêmero. Jogador de futebol, modelo, corredor de F-1, atletas em geral. Todos os anos, muitos deles ascendem e outros tantos se afastam dos espaços, pistas e arenas sem sequer nos darmos conta. No reino do futebol, o bravo Washington, ex-centroavante do atual campeão brasileiro Fluminense, foi um dos últimos. A comoção, claro, contagiou quem esteve com ele na despedida, mas nada que afetasse uma nação inteira. Guga parou, Romário, Joaquim Cruz, Oscar, Hortência, Popó. Todos pararam. A gente sentiu, é verdade, mas Ronaldo é Ronaldo. Em princípio, é difícil digerir a ideia de que não teremos mais um gênio como ele em campo, mesmo sabendo que, como o próprio jogador afirma, o corpo não mais atende aos comandos da mente. Ronaldo em campo era tudo o que se queria ver.
Lamentamos profundamente por esse dia, mas o que deve-se exaltar no momento é que Ronaldo, o menino pobre do subúrbio carioca, hoje um dos aposentados mais privilegiados do mundo, enquanto esteve em forma, foi brilhante e deu ao torcedor aquilo que mais se espera no futebol: a alegria de ver o seu time ganhar. Muita gente, apelando para o melodrama barato, argumenta que fomos injustos com Ronaldo agora na reta final, ao reclamarmos do seu excesso de peso e de sua apatia constante nos gramados. Acostumados que estávamos com um desempenho fora do comum, praticamente ninguém atentou para o detalhe de que, ao chegar ao Corinthians, sob grande celebração, estávamos praticamente fadados a conviver com um Ronaldo em pleno ocaso profissional, mas que, mesmo assim, ainda deu àquela torcida ultra-apaixonada dois títulos importantes em dois anos de contrato.
O Brasil não para de revelar talentos no futebol e em idade cada vez mais tenra. Da mesma forma que eles surgem, quase no nascedouro, e por conta da indústria que também engoliu o futebol, esses garotos são de imediato levados para os centros onde se investe pesadamente em treinamento e em planejamento profissional, e os transforma em valorizadas mercadorias no bazar global da bola. Muitos ficam milionários, outros, nem tanto. Mas quando já não têm aquilo que satisfaz o apetite das massas consumidoras (uma analogia com os gladiadores aqui não seria de todo absurda), eles começam a pensar no caminho de regresso. E aí nós, tupiniquins conformados, ficamos com as migalhas da repatriação tardia, já que parece ser esta a única fatia que passou a nos caber na lógica nefasta do capitalismo global na referida área. Não é à toa que praticamente todos os nossos grandes do futebol contemporâneo optam por dar os últimos suspiros de suas carreiras no Brasil. Degustado o filé, ficamos nós, os criadores, aqui com o chupa-molho que resta da criatura. Com Ronaldo não seria diferente.
Se o corpo de Ronaldo rendeu-se às lesões e demandou um sonoro "basta", temos que congratulá-lo por, aparentemente, ter mantido a mente sana ao longo dos seus quase vinte anos de futebol profissional e de assédio sem trégua. Não acredito que tenha havido jogador mais vigiado e noticiado que Ronaldo, principalmente no tocante à sua vida privada. Esperto em saber aproveitar bem todas as benesses e facilidades que o dinheiro proporciona, ele não fez diferente dos seus muitos colegas de profissão. Adquiriu bens caros, sofisticou o gosto e a aparência, desfrutou da companhia e dos chamegos de mulheres deslumbrantes, envolveu-se em polêmicas, descobriu-se pai incidental. Nesse ponto, Ronaldo foi igual a quase todos. Felizmente, ao contrário de alguns, salvou-se de enfiar o carrão numa árvore qualquer da Lagoa Rodrigo de Freitas ou deixar-se levar pelas mazelas do álcool. Neste ponto, com perdão do trocadilho, ponto para Ronaldo.
Trabalho não vai faltar a Ronaldo. Continuará a ser um dos galáticos do futebol mundial e um cobiçado aposentado aos 30 e poucos anos. Com um oceano de dinheiro para dar algum destino, não terá trégua, não escapará da fúria incansável e irascível dos infames paparazzi. Nem que queira, o mundo tosco das celebridades lhe deixará em paz. Certamente, saberá usar sua imagem em prol de si mesmo e angariará mais e mais riqueza. Como também flana pelo reino dos clichês, comandará uma fundação para ajudar crianças pobres. Seguirá o caminho de alguns de seus colegas que, envoltos em suas culpas, descobriram-se, digamos, socialmente sensíveis. Não fará nada mais de criativo, não escreverá um livro nem lerá poesia, pois a genialidade que a vida lhe deu, a própria vida acaba de lhe ceifar. Voltará ao plano dos mortais, mas tendo via memórias a deferência da eternidade. Não é pouca coisa para um jogador de futebol.
Em suma, a despedida de Ronaldo não deixa de ser um evento triste para quem gosta do bom futebol. Com ou sem a desclassificação da Libertadores, sabíamos que, muito breve, o "Fenômeno" seria obrigado a atender aos ditames de um físico debilitado. A bola, amiga íntima, já lhe era um fardo, uma estranha. A paciência dos corintianos explodira. E aí, em nome de uma paixão ensandecida, com baixíssima tolerância a derrotas e humilhações, nem supercraques como Ronaldo são (e devem ser) poupados da cobrança. Nesse aspecto, o coração de quem se entrega ao futebol é cruel e loucamente parcial. Não respeita história, glória, alegrias passadas. Ronaldo tinha tudo isso e se vai. A torcida não mais chora, renova a esperança de que venham outros "Ronaldos" em melhores condições. Essa é a lógica do futebol. Essa é a lógica da vida. Tudo passa. E a vida se renova. Ronaldo passa. Eu passo. Nós passamos. Sentimos muito, mas Ronaldo passou. Passava da hora. O futebol sem Ronado, por algum tempo, será menos belo. Por algum tempo.

Fonte:Terra magazine

Estudantes e trabalhadores unidos...


Passagem de 3 reais é roubo!

A passagem de ônibus em São Paulo atingiu neste começo de janeiro o absurdo patamar de R$ 3,00 – a mais cara do Brasil. Não há como ficar calado frente a um aumento muito superior à inflação, que ocorre apenas um ano depois do último e em benefício exclusivo dos empresários do setor.
Cinco grandes manifestações, com milhares de pessoas já foram às ruas. No primeiro, a polícia reprimiu os mil manifestantes que caminhavam pacificam…ente. Não nos calamos: nas semanas seguintes, sucessivos atos reuniram em média cerca de 4 mil pessoas. No último, mais de 3 mil manifestantes invadiram o Terminal Pq. D. Pedro, o maior da América Latina, após caminhar pelo centro, tudo pacificamente. Ao terminar na Prefeitura, o ato tinha mais que três vezes o tamanho original.
O movimento não pára de ganhar força! E agora que voltam as aulas, podemos levar ainda mais estudantes para as ruas. Atue contra o aumento em seu colégio! Nos últimos anos, Florianópolis, Vitória, Ouro Preto e, na última semana, Porto Velho barraram seus aumentos. Repetiremos o feito por aqui!
Na próxima quinta, já vamos nos reunir na frente da Prefetura. Exigindo do Kassab a revogação desse aumento! E faremos muito barulho por lá!!!

VAMOS BARRAR ESSE AUMENTO!! AMANHÃ VAI SER MAIOR!
ESTUDANTES E TRABALHADORES UNIDOS,HOJE E SEMPRE!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

BBB11 da Globo “Liberou a pancadaria”


NOTA DE PREOCUPAÇÃO E REPÚDIO AO BBB11

Temos acompanhado com muita preocupação o pronunciamento de José Bonifácio de Oliveira, o Boninho, diretor do programa de reality show BBB (Big Brother Brasil),
 da TV Globo. 
O pronunciamento do “Boninho”, antes da estréia do programa, cuja fala e repercussão anexamos, não poderia ser mais evidente
 – é um estímulo à violência na nova edição do BBB, em sua 11ª edição.
Provavelmente preocupado com os índices de audiência do programa e, querendo reerguê-los, Boninho explicitamente “liberou a pancadaria” nesta edição, provavelmente apostando na tradicional espetacularização da violência, receita já bastante usada pela grande mídia, sem qualquer respeito aos direitos humanos.
Acreditamos que, por ser uma concessão pública, e pela sua importância como educadora informal, pelo respeito devido aos telespectadores, cabe à televisão se pautar pelos mais altos interesses da sociedade e pela responsabilidade social que o poder que detém com a concessão lhe confere.
Não nos interessa a banalização da violência na mídia, que tem servido de estímulo para a sua reprodução na sociedade em que vivemos, numa espiral infernal que nos distancia do modelo de sociedade livre de violência na qual gostaríamos de viver.
A violência contra a mulher é um mal que queremos erradicar, pelo que temos militado há décadas.  Os acordos e protocolos internacionais firmados pelo Brasil, a luta implementação da Lei Maria da Penha veio coroar os nossos esforços no sentido de tentar inibir tal violência. Seria portanto altamente prejudicial e contraditório que a mídia estimulasse a violência, tão-somente para melhorar os seus próprios índices de audiência! As mulheres querem, merecem, precisam e têm o direito de viver numa sociedade livre de violência de gênero e de qualquer forma de opressão.
Nos parece igualmente prejudicial a nossos interesses, caso a mensagem do Boninho não vise estimular a violência contra as mulheres, mas “a pancadaria” entre os homens.
A banalização e espetacularização da violência têm servido de estímulo para mais-violência na sociedade. Como mães, namoradas, filhas, companheiras, irmãs, amigas, a violência entre os homens não nos interessa. Não há qualquer sentido em “liberar a pancadaria” num programa de grande audiência, sabedoras que somos do estímulo que isso representa para os jovens e adultos.
As masculinidades não devem ser medidas pela violência e é importante ter em mente que não podemos oferecer tais modelos, para muitos jovens que se identificam com esse programa. Finalmente, dizem bem os psicólogos sobre a contribuição destas cenas na formação da subjetividade das crianças, quando não também dos adultos.
Finalmente, por se tratar de um reality show, passa como cenas da vida real, selecionada para estar na mídia. Neste contexto, essa violência, pancadaria estimulada, seria ainda mais nociva à sociedade brasileira, do que a presenciada em filmes e telenovelas, notadamente mais ficcionais.
Assim, exigimos a retratação imediata e pública da “liberação” dada pelo diretor do programa aos componentes do mesmo, bem como sugerimos medidas preventivas, que se contraponham ao discurso proferido, entre as quais recomendamos:
- a veiculação de uma campanha de não-violência (uma geral, e outra, de gênero),
- uma atenção redobrada no sentido de minimizar a quantidade de cenas de violência na programação geral das emissoras de TV e, particularmente, no BBB11.

Assinam este manifesto:

Observatório da Mulher, Colet. de Mulheres Ana Montenegro, Campanha pela Ética na TV – SP, Themis Assessoria Jurídica e Estudos de Gênero, Articulação Popular e Sindical de Mulheres Negras/SP, Anas do Brasil – Educação Popular Ampliada, Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social, AMARC-BRASIL (Associação Mundial de Rádios Comunitárias, Fórum da Mulher Tocantinense, Jornal MULHERES, Jornal H; Palmas/Tocantins, SESEG/Amazonas, Rede Mulher e Democracia – Alagoas, Ciranda Brasil de Comunicação Compartilhada, Rede 3setor, Presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher - Americana – SP, entre outras.