terça-feira, 29 de março de 2011

Morre José Alencar aos 79 anos...



José Alencar, ex-vice-presidente da República, morreu às 14h41 desta terça-feira (29), no Hospital Sírio-Libanês, na capital Paulista. Ele estava internado desde segunda-feira (28), quando apresentou quadro de oclusão intestinal e peritonite – entupimento e perfuração da parede do intestino – no que se mostrou o último capítulo de uma luta contra tumores na região abdominal iniciada em 1997.
O velório será realizado no Palácio do Planalto e o enterro em Belo Horizonte (MG). O corpo deve partir a Brasília (DF) às 6h30 desta quarta-feira (30). Por sete dias, o Brasil estará em luto oficial, segundo divulgou a Presidência da República. Ele tinha 79 anos e estava na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Desde a manhã desta terça, a equipe médica havia deixado claro que não havia novo tratamento para o quadro de Alencar. Por isso, ele foi sedado com analgésicos para não sofrer.
A carreira política do empresário nascido em Muriaé, na Zona da Mata de Minas Gerais, começou aos 14 anos. O ponto alto da carreira foi a formação da Companhia de Tecidos Norte de Minas (Coteminas), ainda sob o controle de sua família. Ele é considerado uma das grandes referências entre os empresários do estado.
Alencar foi presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) de 1989 a 1995, e candidatou-se ao governo de Minas em 1994. Foi senador e ministro da Defesa, cargo que acumulou com a vice-presidência.
Os primeiros tumores foram encontrados no rim, espalhando-se para a próstata, bexiga e intestino. Foram pelo menos 15 procedimentos cirúrgicos no período, incluindo boa parte dos dois mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva. A sequência mais complexa ocorreu em 2009, quando a intervenção durou 17 horas seguidas. No fim do ano passado, perto da sucessão presidencial, Alencar passou por recorrentes internações e interrupções de tratamentos de quimioterapia. Por isso, não pode participar da cerimônia de posse de Dilma Rousseff.
Como vice-presidente, manteve-se atuante como vice, apesar da luta contra a doença. Além de assumir o cargo durante viagens presidenciais, Alencar opinava sobre a política do país. Especialmente no primeiro mandato, o destaque eram as críticas a temas econômicos, como a taxa de juros elevada. Ele mantinha ainda o bom humor nos últimos anos de vida.
No último evento público, quando recebeu uma homenagem em São Paulo, no dia 25 de janeiro, data do aniversário da cidade, Alencar chegou a esboçar um pronunciamento. "Se eu morrer agora, é um privilégio para mim, que a situação está tão boa, que não tem como melhorá-la", disse.
Ele reconhecia que não estava bem, mas dizia não poder se queixar. "Estou lutando para não morrer e estamos vencendo com a força de Deus. E seja qual for o resultado, será uma vitória nossa. O que ele fizer é o que está certo", disse, à ocasião.
Como a presidenta Dilma Rousseff está em viagem a Portugal, o primeiro a se manifestar no Planalto foi o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência da República. "Ele deu tantos bailes nos médicos que a gente achava que ele poderia ainda aguentar mais um pouco no meio de nós. Foi o equilíbrio dele, a amizade dele que nos confortou nas horas mais difíceis", afirmou o ministro, que no governo Lula foi chefe de gabinete da Presidência.
O Palácio do Planalto foi o lugar escolhido para o velório de Alencar, que deve ter início na manhã de quarta-feira (30). A definição foi feita em conversa telefônica entre a presidenta Dilma Rousseff e Josué, filho do político mineiro, e a cerimônia na capital federal será aberta ao público.

Fonte:Rede Brasil Atual 

domingo, 27 de março de 2011

ESTUDANTES PROTESTAM EM SANTO ANDRE...

 
FONTE:DIÁRIO REGIONAL

Cerca de 50 integrantes da Assembleia Nacional do Estudante Livre (Anel) compareceram ontem à Câmara de Santo André para protestar durante a sessão contra o reajuste de 9,4% na tarifa de ônibus municipal, que em janeiro subiu de R$ 2,65 para R$ 2,90.

Segundo Rafael Nascimento Pereira, um dos líderes do movimento, o objetivo da manifestação é chamar a atenção das autoridades para os problemas enfrentados pelos estudantes. “Resolvemos fazer essa agitação para pedir que o aumento da passagem seja revogado. Também queremos passe livre para os estudantes que estão desempregados, já que muita gente deixa de ir à escola por não ter dinheiro para pagar o ônibus. Melhoria nas condições do serviço também é algo a ser discutido, porque falta infraestrutura e perdemos sempre muito tempo esperando no ponto”, disse.

De acordo com Pereira, a intenção é fazer grande ato de protesto na frente do Consórcio Intermunicipal do ABC, em abril. “Vamos exigir que seja marcada audiência extraordinária com todos os prefeitos para tratarmos o assunto. Já nos falaram que isso aqui é baderna, mas não é. Por meio desses movimentos é que vamos conseguir conquistas, assim como aconteceu em outros Estados”, afirmou.

Boulevard Itambé
Os comerciantes do Boulevard Itambé também marcaram presença na sessão da Câmara para, novamente, pedir melhorias na galeria de comércio informal que fica no Centro da cidade.
“Até agora ninguém fez nada. Por isso resolvemos vir até aqui para sensibilizar nossos vereadores”, disse Ana Lucia de Araujo, vice presidente da Associação dos Comerciantes Informais do Boulevard Itambé (Acerbisa).

De acordo com Ana, no fim do ano passado foram feitas promessas de melhorias aos lojistas. “Falaram que, em janeiro, teríamos uma posição, mas não foi o que aconteceu. Solicitamos várias vezes reunião com o prefeito (Aidan Ravin), mas não está mais nos atendendo. Cansamos de esperar”, afirmou.

O complexo de lojas populares é um espaço construído pela prefeitura em junho de 2008 para abrigar comerciantes que foram retirados das ruas do Centro. No total, 133 quiosques formam a galeria, que atualmente encontra-se com vários problemas estruturais. Questionada sobre o tema, a assessoria de imprensa da Prefeitura de Santo André relatou que já está apurando as queixas dos comerciantes para se posicionar sobre o caso.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Vai com Deus Dalai-Lama....

Dalai-lama anuncia fim das atividades políticas


O líder espiritual budista dalai-lama anunciou hoje (10) que vai abandonar as funções políticas no governo do Tibete e transferir o poder para um representante eleito. Tenzin Gyatso, de 76 anos, é o 14º dalai-lama. Ele foi reconhecido como líder espiritual em 1937, quando tinha dois anos de idade. Gyatso assumiu as funções religiosas em 1950. A decisão foi anunciada durante cerimônia que lembrou a revolta tibetana de 1959 contra as autoridades chinesas. De acordo com ele, é o momento de “devolver” a autoridade formal para um líder eleito.

As informações são da agência pública de notícias de Portugal, a Lusa. Exilado na cidade indiana de Dharmsala, dalai-lama afirmou que o governo tibetano deve ter mais poder. Segundo o líder, a disposição é apresentar propostas de emendas à Constituição para incluir as mudanças pretendidas.

Ainda este mês, o Parlamento do Tibete reúne-se para votar as emendas defendidas pelo dalai-lama. Pelas interpretações dos parlamentares, o líder espiritual manterá suas funções cerimoniais e um primeiro-ministro será eleito formalmente pelo governo no exílio.

Por tradição, os dalai-lama são líderes políticos e espirituais do Tibete e o atual mantém essa função considerada quase mítica para a maioria dos seguidores. O atual dalai-lama é o 14º de uma linhagem de líderes espirituais que, pela crença budista, são a reencarnação de espíritos que têm o objetivo de esclarecer a humanidade.

Lama é uma palavra tibetana que significa sabedoria, monge, mestre e guru. O dalai-lama também é chamado de Sua Santidade por seus seguidores.

Fonte:Jornal Diário Regional do ABC

quarta-feira, 9 de março de 2011

A invasão do Centre Ville...

Centreville caminha para a regularização

Renan Fonseca
Do Diário do Grande ABC

Quase 30 anos se passaram, e agora a primeira invasão de moradias do País caminha para chegar à legalidade. O Centreville, em Santo André, é foco de comissão de vereadores formada para pressionar Prefeitura e CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) a concederem a posse dos imóveis às famílias que vivem no bairro. A primeira audiência pública que vai colocar os dois órgãos frente a frente será realizada dia 18, às 19h, na Câmara Municipal.

Em 16 de julho de 1982, aproximadamente 600 famílias ocuparam um conjunto habitacional de alto padrão que estava praticamente abandonado. O empreendimento prometia ser o Alphaville do Grande ABC, mas a construtora se afundou em dívidas e o projeto parou no caminho.
Desde então, casarões foram mudados, quadras divididas, ruas asfaltadas e água e energia elétrica instalados. Mas ninguém ali tem documentação da casa onde vive. "Temos de pressionar o poder público para regularizar a vida dos moradores, que possuem apenas a posse sobre as casas", disse o vereador Tiago Nogueira (PT), que preside a comissão.
Até mesmo o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) aquelas pessoas não podem pagar. Em 1990, conforme explicou o vereador, uma determinação do Tribunal de Justiça garantiu que a CDHU administrasse o território do Centreville. A companhia estadual é responsável pelo pagamento do imposto à Prefeitura.
Hoje, do grupo ocupante original do Centreville, restam menos de 10 famílias, que compõem o comitê representativo do bairro. Mas toda a vizinhança almeja ter em mãos a escritura da propriedade onde mora. "Todos os anos, o carnê do IPTU chega nas nossas casas. A gente orientou todo mundo a não pagar. Mas tem famílias que acreditam que, quitando o carnê, vão ter direito à escritura", esclarece o presidente da associação dos moradores, Tarcísio Silva Cale, 55 anos - o Calé, como é conhecido.

Leilão:Em 2000, a Prefeitura ingressou na Justiça com ação de execução fiscal por falta de pagamento do IPTU (processo 7045/2000). O leilão judicial de algumas residências iria acontecer no fim do ano passado, segundo o vereador petista. Mas, em 9 de fevereiro, a 2ª Vara da Fazenda Pública extinguiu o processo. "Muitas famílias ficaram com medo de perder as casas e recorreram aos vereadores. Agora a gente quer sair desse impasse e conseguir a propriedade das casas", comentou Calé.

Lutas:
Ao lado de Calé, Newton Soares Galvão, 50, o Mineiro, também enfrentou a "borracha da polícia". "Eu fazia parte do peitoral, que era o pessoal que encarava a polícia e não deixava ela entrar no condomínio", relembra.
Mineiro hoje é mecânico e construiu uma oficina no porão da casa que ocupou. "Era tudo mato, e a construção estava nas fundações. Com muito trabalho, construí meu lar", orgulha-se.
Sobre o processo de regularização fundiária pretendida pelos vereadores, a Prefeitura não se pronunciou. Já a CDHU enviou nota informando que já está trabalhando no assunto e realizou cadastramento das famílias em 2008.

Falta de adaptação levou ocupantes embora
Padre José Mahon, 84 anos, acompanha a história do Centreville desde o início. Ele estava junto com os moradores dois dias após a invasão, e nunca mais saiu.
Mahon lembra que a ocupação aconteceu em dois momentos: 16 de julho de 1982 e 11 de fevereiro de 1983. Sempre ao lado dos ocupantes, ele explica por que restam poucas pessoas no Centreville que participaram da ocupação. "Todas as pessoas saíram de favelas e por vários motivos não se adaptaram às grandes casas do conjunto", comentou.
No começo da ocupação, todos estavam empolgados com o tamanho das residências. Aos poucos, foram percebendo que manter um casarão não era fácil. "Aquelas pessoas estavam acostumadas aos pequenos barracos, portanto, uma vez dentro das mansões, deixavam muitos cômodos desocupados", relembra o padre. Os espaços vazios eram vendidos ou alugados. E quando a situação financeira apertava, as famílias voltavam para as favelas.
"Elas aceitavam qualquer dinheiro para deixar as casas. A mudança era rápida: enquanto uma família estava saindo, a outra estava com as coisas na porta da residência. Assim, não corriam o risco de outros ocupantes tomarem a casa", explica o religioso.
Dessa forma, o bairro passou a acomodar famílias de classe média. A maioria das pessoas que lutou pela ocupação abandonou ou vendeu as casas.
Até mesmo a antiga sede da associação de moradores foi alugada para gente de fora. "Cheguei neste mês de Garanhuns (Pernambuco) e vou tentar a vida em São Paulo", explica dona Maria Aparecida de Andrade Oliveira, 44. Ela, que paga R$ 400 por mês pelo imóvel, posa na porta de casa, sem saber o significado das inscrições na parede.
Padre Mahon toma conta da Capela Nossa Senhora da Esperança, construída no centro do Centreville.

Casa no bairro pode custar até R$ 150 mil :
Compra, venda ou aluguel de imóvel. No Centreville, qualquer negócio imobiliário é feito na base da confiança. Sem documentação das casas, as famílias confiam nos vizinhos para passar adiante a residência. O costume surgiu nos primeiros anos da ocupação.
Hoje, muitas pessoas instalaram imobiliárias clandestinas e vivem desse comércio. "Sempre foi assim. Os vizinhos oferecem uma porcentagem para a gente vender a casa ou vigiar a propriedade para ninguém invadir", comentou uma moradora adepta do negócio, que preferiu não se identificar.
No bairro, uma casa pode valer entre R$ 50 mil e R$ 150 mil. "Mas é difícil alguém pagar mais do que R$ 80 mil pela residência. Aqui ninguém tem escritura, e isso não é um chamativo", explicou o engenheiro mecânico, José Santos, 62 anos, proprietário de uma imobiliária legalmente registrada, como garante.
Mesmo quem faz lar no Centreville e não participou da ocupação sonha com a documentação da casa própria. "Faz tanto tempo que estamos aqui, e por isso queremos a escritura. Não estamos pedindo nada de graça. Com os documentos, a gente paga o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e todos os impostos", falou a dona de casa Ivete Casagrande, 44 anos, que se instalou no bairro há uma década.

terça-feira, 1 de março de 2011

A gente não quer só comida....

Jovens participam do movimento sindical da Região e ocupam representações em empresas multinacionais como a Basf  no ABC
Por:Felipe Rodrigues e Vinicius Morende

A juventude se fez representada no sindicalismo da Região ao longo da história e foi um dos principais atores das manifestações realizadas no final da década de 1970, que mudaram os rumos do ABCD e do País. No entanto, a evolução social obrigou o movimento sindical a se adaptar às novas realidades, tanto para incentivar a participação dos jovens e renovar as lutas, quanto para adequar as demandas da juventude aos quadros de representação nos sindicatos.

Um exemplo disso é o grupo recém-empossado para representar os trabalhadores de uma das maiores plantas industriais químicas localizadas no ABCD, a Basf Demarchi, em São Bernardo. De acordo com o coordenador do núcleo da comissão de fábrica da empresa, Márcio Vital, cerca de 70% dos trabalhadores do setor químico são considerados jovens e as lideranças tiveram que se qualificar para conseguir falar a mesma língua desse pessoal. "Atualmente, a nossa comissão de fábrica conta com pessoas com pouco mais de 30 anos. Tendo um grupo mais jovem é possível unificar as reivindicações", disse.

Para o presidente do Sindicato dos Químicos do ABC, Paulo Lage, nos últimos anos houve um aumento da participação dos jovens atuando no sindicalismo. "É muito importante contar com a presença deles, afinal são eles que continuarão defendendo nossas bandeiras de luta nos próximos anos", destaca.

No entanto, de acordo com especialistas, as últimas três décadas impuseram sérios desafios à representação da juventude nos espaços de organização no local de trabalho e dentro do próprio movimento sindical. Entre eles estão questões práticas, como a mecanização dos modos de produção, que reduziu o volume de trabalhadores dentro das fábricas, mas também problemas estruturais, como as mudanças do mercado de trabalho e a evolução cultural.

"Antigamente, o objetivo do trabalhador era arrumar emprego estável, fazer carreira na empresa e garantir o futuro da família. Nas últimas décadas, as metas passaram a ter prazos mais curtos. O trabalhador quer bons salários, sem precisar crescer dentro da empresa, e o mercado de trabalho permite que se mude de emprego. Isso muda tudo", afirma o sociólogo Agnaldo dos Santos.

Para Santos, ao mesmo tempo em que há gratidão pelas lutas e conquistas sindicais do passado, o que faz jovens formados em Direito, por exemplo, ocuparem vagas nas montadoras por conta dos bons salários, não há uma identidade definida. "O sindicalismo se constrói na organização dos oprimidos em busca de uma vida melhor. Com a mudança da estrutura social, as relações entre as pessoas foram muito afetadas", explica. "Não é que no passado as pessoas eram mais empolgadas com a vida sindical, a estrutura social favorecia o envolvimento delas".

De acordo com o coordenador do Coletivo de Jovens Metalúrgicos e Metalúrgicas, do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Ângelo Máximo Pinho, o Max, desde 1997, quando o coletivo passou a atuar na Região, grandes transformações ocorreram na sociedade. "Da época em que o Lula era presidente do sindicato para os tempos de hoje, muitos desafios foram superados, mas novos problemas foram colocados pelo neoliberalismo", sintetiza.
Já a presidente do Sindicato dos Bancários do ABC, Maria Rita Serrano, destaca que a categoria também sofre com os problemas da alta rotatividade dos jovens e, com isso, ter trabalhadores novos dentro do sindicato acaba sendo um desafio. "Apesar das dificuldades estamos sempre buscando trazê-los para dentro do sindicato, seja em cargos operacionais como também na direção", pondera.

  - Nas profissões consideradas transitórias o envolvimento da juventude com o mundo sindical é mais desafiador. De acordo com o diretor regional do Sintetel (Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações do ABCD e Alto Tietê), Mauro Britto, a alta rotatividade é um dos problemas da categoria. "Ainda assim é possível encontrar jovens que possuem objetivos de lutar pelos seus direitos. Nossa meta é contar com estes trabalhadores no sindicato", conta.
 
 Fonte:Jornal ABCD Maior


domingo, 27 de fevereiro de 2011

Não sois máquina,homem é que sois...

 

Desempregados pela mecanização

Com o avanço da mecanização nos canaviais paulistas, foram fechados pelo menos 40 mil postos de trabalho no corte da cana-de-açúcar desde 2007, calcula o professor do Departamento Economia Rural da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) José Giacomo Baccarin. No mesmo período, o setor sucroenergético abriu vagas suficientes para realocar apenas 10% dos ex-cortadores em atividades como a de tratorista. Outros postos abertos no ramo não são preenchidos por esses trabalhadores por causa da baixa escolaridade, segundo o professor.

Baseado em análises dos números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, Baccarin aponta que em maio de 2010 – mês em que há o pico da safra – trabalhavam na colheita manual 166,4 mil pessoas. Ele estima que 150 mil desses cortadores de cana sejam dispensados até 2014, último ano para o fim da queima da palha da cana, necessária para o corte manual, em todas as áreas mecanizáveis do estado. O prazo foi estabelecido em um protocolo assinado entre o governo estadual e a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica).

O Ministério Público Federal tem pressionado por um processo de licenciamento mais rigoroso para permitir as queimadas no estado. No fim de janeiro, uma ação impetrada pelo órgão foi acatada pela Justiça Federal, que suspendeu a queima na região de Franca, interior do estado.

Para Baccarin, esse tipo de pressão ajuda a acelerar o processo de mecanização, mas não é o fator decisivo. “A questão é valorizar o etanol como combustível renovável e não agressor ao meio ambiente, é isso que está acontecendo”, destacou em entrevista à Agência Brasil. As queimadas pioram a qualidade do ar dos municípios produtores e a colheita manual é apontada como um trabalho muito penoso.

“O lado bom da mecanização é isso. As pessoas deixam de fazer esse serviço forçoso [pesado], no limite desumano, que é cortar cana”, analisa o coordenador de Relações Sindicais do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), José Silvestre Prado de Oliveira.

Ele pondera, no entanto, que a perda maciça de empregos impacta diretamente milhares de famílias e os municípios onde há o cultivo. “Tem o problema de ordem econômica e social que é o que fazer com as pessoas que viviam e dependiam dessa renda para viver.”

Algumas prefeituras têm buscado formas de amenizar esses efeitos, segundo Baccarin. “Uma coisa que já percebi que as prefeituras fazem é encaminhar o pessoal para o seguro-desemprego.”

A Unica desenvolve desde o ano passado um programa de requalificação de cortadores chamado Renovação. “É um modelo em que o trabalhador continua recebendo o salário dele, mas estuda em período integral”, explica a assessora de Responsabilidade Social Corporativa da entidade, Maria Luiza Barbosa.

O programa desenvolvido pela Unica tem foco, segundo ela, na capacitação de acordo com a disponibilidade de vagas em cada região. “É formar para o cara ter opção de trabalhar naquela área [sucroenergética] ou ser um profissional autônomo”. Ela afirma que o projeto tem “cunho social” e que os cursos oferecidos, com cerca de 300 horas de duração, são de alta qualidade. “É para aprender, não para falar que fez.”

A meta do projeto é, por ano, qualificar para outras atividades 7 mil trabalhadores braçais. Parte deles será realocada pela própria indústria canavieira, mas a maior parcela terá de ser absorvida por outros setores. Caso cumpra o proposto, o Renovação capacitará 35 mil cortadores até 2014.

O presidente do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Regente Feijó (SP), Marcelino Sotocorno, afirma, no entanto, que as usinas têm preferido empregar trabalhadores mais qualificados a ex-cortadores na colheira mecanizada. Segundo ele, foi preciso pressionar as empresas para que os cortadores fossem qualificados para os postos.

Para o presidente do Sindicato de Empregados Rurais de Ribeirão Preto (SP), Sílvio Palviqueres, a requalificação ainda é “mínima” em comparação à velocidade da mecanização. Segundo ele, na região, uma das maiores produtoras de cana do estado, uma parte dos trabalhadores é absorvida pela construção civil. “Esses trabalhadores não têm escolaridade, sabem só assinar o nome, então eles não conseguem disputar uma vaga na área urbana. A única coisa que sobra para eles é a construção civil.”

Fonte:Diário Regional do ABC

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Programa Leitura nas Fábricas...


Sucesso do programa é comemorado com entrega do sétimo ponto de leitura em Diadema
Fonte:Jornal-abcdmaior

Aproveitar os espaços das indústrias para incentivar no trabalhador o hábito pela leitura é o mote do "Programa Leitura nas Fábricas", que desde junho de 2010 é realizado em Diadema, por meio de parceria pioneira entre a Prefeitura e o Ministério da Cultura. O sucesso do programa é comemorado com a entrega do sétimo ponto de leitura - minibibliotecas para empréstimo e leitura de livros, na quarta-feira, dia 23, nas dependências da empresa Apis Delta. A iniciativa beneficiará mais de 400 operários.
Perto de três mil trabalhadores e familiares já contam com os espaços de leitura em suas fábricas, o que lhes garante acesso a um acervo com mais de 650 títulos de literatura brasileira, estrangeira, infantil e juvenil, além de DVDs, livros didáticos, enciclopédias, entre outros.  O programa conta com a importante parceria de sindicatos, como o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, e empresas da Região.
O balanço dos primeiros meses do programa mostrou que a iniciativa despertou não apenas o interesse pela leitura, com um total de empréstimos de cerca de 1,8 mil livros, mas incentivou o contato com a internet, a procura por pesquisas de temas diversos e a realização de saraus e intervenções poéticas. Esta demanda fez com que os pontos de leitura acrescentassem espontaneamente em seus acervos 559 novos títulos.
As empresas Legas Metal e Papaiz, ambas do município, se destacaram por ampliar o acervo e promover apresentações artísticas. A primeira delas também inovou ao expandir sua parceria com a Prefeitura e agregar o seu ponto de leitura ao "Programa Diadema Mais Educação", voltado a atividades educativas com as crianças da rede pública municipal, e ao "Programa Cultura e Movimento". Estas ações abriram a biblioteca para a população que reside próxima à fábrica.
O êxito conseguido com a iniciativa fez com que a experiência de Diadema fosse expandida a outras cidades do ABCD. Devido aos resultados obtidos, o Ministério da Cultura reafirmou a parceria com a cidade e concedeu mais quatro kits para novos pontos de leitura, que agora chegará a 14 fábricas, e ainda garantiu outros 24 para as outras cidades da Região. Cada kit, além do acervo das obras, conta com mobiliário adequado para a biblioteca, que já vem informatizada.
Projeto - No início do programa aderiram à ideia as empresas Apis Delta, Delga, IGP, Autometal, Legas, Grupo Papaiz, Uniforja, TRW, Uniferco e Metalpart. Sete delas já contam com o ponto de leitura, restando outras sete para a implantação das minibibliotecas. Cada fábrica também indicou um responsável pelo funcionamento do ponto dentro da empresa. Os funcionários passaram por um processo de capacitação fornecido pela Prefeitura de Diadema.
Os futuros agentes de leitura foram escolhidos de acordo com o interesse para se tornarem orientadores dos pontos de leitura em seus ambientes de trabalho. Nas aulas de capacitação, os agentes receberam orientação sobre a organização do acervo que as fábricas irão receber, de como atender os companheiros que farão uso do espaço e como despertar o interesse pela leitura.
A ideia nasceu em 2009, quando foi realizado pela Prefeitura de Diadema o seminário "A Biblioteca que Queremos", em que foi definida a meta de transformar Diadema em uma cidade de leitores. A partir desse momento, a Secretaria de Cultura começou a buscar parcerias. Com o "Leitura nas Fábricas", a cidade espera levar educação, uma das prioridades do governo municipal, aos trabalhadores da região, incentivando o hábito da leitura. O poder que esse hábito pode ter foi lembrado pelo prefeito: "Cultura e Educação vão além de qualificar o trabalhador, elas formam a sociedade. O cidadão, quando tem acesso à cultura, se transforma".